Os risos de
Marcela
(com mais de nove meses de nascida,
a anencéfala Marcela com seu sorriso contradiz os
abortistas)
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Marcela rindo, no colo de sua mãe. |
No
dia 20 de outubro de 2004, enquanto fervilhava a discussão sobre o aborto de
anencéfalos no Supremo Tribunal Federal, o advogado Luiz Roberto Barroso, em
sustentação oral, afirmou solenemente (clique aqui para
assistir ao vídeo):
“A letalidade da anencefalia é de 100%. Se alguém disser que viu um
anencéfalo que viveu semanas, meses e anos, não é que esteja mentindo; está
acreditando no que quer acreditar, porque não é possível acontecer isso de
acordo com a ciência médica”.
Ao
fazer essa afirmação categórica, o renomado jurista foi imprudente. A
sobrevida extra-uterina de um bebê anencéfalo costuma ser breve, mas não é
impossível que ultrapasse semanas ou meses. Em 21 de junho de 1996, o Comitê
Nacional para a Bioética do governo italiano aprovou uma declaração em que se
dizia:
... com os atuais tratamentos a sobrevivência do anencéfalo é muito
reduzida. São relatadas percentagens de nascidos vivos entre 40 – 60%,
enquanto depois do nascimento somente 8% sobrevive mais de uma semana e 1% entre
1 e 3 meses. Foi relatado um caso único de sobrevivência até 14 meses e dois
casos de sobrevivência de
No
Brasil, já houve o caso de uma menina anencéfala, Maria Teresa, nascida em
17/12/2000, em Fortaleza (CE), que recebeu alta hospitalar que só veio a
falecer em 29/03/2001, portanto com mais de três meses de nascida![2]
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Maria Teresa, anencéfala, e sua mãe Ana Cecília Araújo Nunes |
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A
anencéfala Marcela de Jesus Ferreira, porém, nascida e batizada na Santa Casa
de Patrocínio Paulista (SP) no dia 20 de novembro de 2006, parece estar
disposta a ultrapassar todos os recordes. Recebeu alta hospitalar no dia 18 de
abril de 2007 (portanto, com quase cinco meses de nascida!), e agora vive com
sua mãe Cacilda Galante Ferreira em uma casa na cidade. A necessidade de estar
perto de um lugar com assistência médica impediu Marcela e sua mãe de irem
para o sítio da família, onde vive o pai de Marcela, Sr. Dionísio Justino
Ferreira, com as duas filhas do casal: Débora (18 anos) e Dirlene (15 anos).
Diz
Sra. Cacilda: “Desde que eu fiquei
sabendo que ela ia nascer com problema, eu a entreguei nos braços de Jesus,
pedindo a Ele que ela seja um instrumento nas mãos dele... para que Ele a use
da maneira que for da vontade dele”.
Lamentavelmente
a revista Veja publicou sobre Marcela
uma matéria altamente pejorativa, intitulada “A menina sem estrela”[3].
Segundo a jornalista, Marcela nunca sentiu o toque das mãos de sua mãe (!). E
prossegue: “A menina nunca ouviu um único
som e não sabe o que é sentir dor física ou emocional. Desconhece o cheiro e
o sabor de qualquer alimento. Sobrevive no mais absoluto vazio”. A
reportagem termina citando um pediatra alemão, Roberto Wüsthof, que diz,
referindo-se à eutanásia para crianças, permitida na Holanda: “Casos como o de Marcela certamente seriam incluídos nos protocolos de
eutanásia na Holanda. [...] Não faz
sentido ser diferente. É como se ela fosse um computador sem processador”.
Assim,
ainda que fosse verdade o que a revista Veja
falou de Marcela, essa criança não seria menos humana, menos viva e nem menos
digna de respeito. No entanto, os dados apresentados pela revista são
simplesmente falsos. Marcela não é uma “menina sem estrela”.
Diz
Sra. Cacilda: “Eu acho que ela é uma
estrela mandada por Deus, para que seja um instrumento nas mãos dele”.

Marcela
reage ao toque da mãe. Com sua mãozinha, ela agarra os dedos de Sra. Cacilda.
Ela se assusta com o som de alguma coisa caindo, reage à luz dos refletores
trazidos pelos fotógrafos, grita de dor quando sente cólica, fica triste, faz
beiço, chora. Quando não gosta de um alimento, ela cospe. Reconhece a voz da mãe.
“Quando sou eu que falo com ela, ela
fica quietinha”, diz Sra. Cacilda.
Com
cerca de
A
mãe se surpreende com ela a cada minuto que passa. “Ela
está aprendendo até a conversar comigo. Ela fala ‘é...’, ‘mã..’”.
Mas
a reação mais impressionante de Marcela é o sorriso. Ela não apenas ri
muito, mas chega a dar gargalhadas quando a mãe lhe faz cócegas. O riso –
privilégio da espécie humana – não está ausente em Marcela, que é humana
como nós.
“Deveria,
portanto, ser rejeitado o argumento de que o anencéfalo, enquanto privado dos
hemisférios cerebrais, não está em condições, por definição, de ter
consciência e provar sofrimentos.”[4]
A reabilitação do anencéfalo
Em
08 de setembro de 2004, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou uma Resolução[5] que permitia arrancar
os órgãos de recém-nascidos anencéfalos para fins de transplante mesmo antes
de eles estarem mortos, ou seja, com o tronco cerebral ainda funcionando!
Esta
resolução confirmou o Parecer n. 24, de 9 de maio de 2003, do conselheiro
Marco Antônio Becker[6], que trazia a
seguinte recomendação: “uma vez
autorizado formalmente pelos pais, o médico poderá proceder ao transplante de
órgãos do anencéfalo após a sua expulsão ou retirada do útero materno,
dada a incompatibilidade vital que o ente apresenta, por não possuir a parte
nobre e vital do cérebro, tratando-se de processo irreversível, mesmo que o tronco cerebral esteja temporariamente funcionante
(grifo nosso)”.
Essa
monstruosidade foi revogada pela Portaria n. 487, de 2 de março de 2007,[7]
do Ministro da Saúde José Agenor Álvares da Silva. Segundo essa portaria, “a
retirada de órgãos e/ou tecidos de neonato anencéfalo para fins de
transplante ou tratamento deverá ser precedida de diagnóstico de parada cardíaca
irreversível” (art. 1°). Ou seja, será necessário que o coração pare
definitivamente de bater, para só depois iniciar a remoção dos órgãos.
Essa
portaria, graças a Deus, reconhece o “status” de ente humano vivo do bebê
anencéfalo. Fica assim mais difícil para os Ministros do Supremo Tribunal
Federal acatar o pedido da Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental
n. 54 (ADPF 54), de liberar o aborto de anencéfalos. Mais difícil ainda
enquanto Marcela estiver viva e dando gargalhadas...
“Nossa!
Eu me sinto tão privilegiada de Deus ter-me escolhido para cuidar de um
anjinho desses! É um anjo mesmo, é um anjo que está salvando muitas vidas”
(Cacilda Galante Ferreira, mãe de Marcela).
Anápolis, 10 de setembro
de 2007.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
[1]
COMITATO NAZIONALE PER
[2]
Maria Teresa foi a quarta filha de Ana Cecília Araújo Nunes, Mestra
[3] LOPES, Adriana Dias. A menina sem estrela. Veja, São Paulo, SP, 15 ago. 2007, p. 122.
[4]
COMITATO NAZIONALE PER
[5] Resolução 1.752/2004, publicada na seção 1 - página 140 do Diário Oficial da União do dia 13/09/2004.
[6] Parecer sobre o Processo-Consulta 24/2003, a pedido do Ministério Público do Paraná.
[7] Publicada no Diário Oficial da União, 5 mar. 2007, Seção 1, p. 29.