O perigo do PLC
122/2006
(um perigo mais
iminente do que o da legalização do aborto)
A
preciosa visita do Santo Padre Bento XVI ao Brasil (
No
entanto, há um atentado à vida e a família bem mais iminente do que a
legalização do aborto, e que tem suscitado tímidas reações entre os cristãos.
Trata-se do projeto de incriminar a “homofobia”, ou seja, de punir como
criminosos todos aqueles que criticam o homossexualismo.
A história do projeto
No
dia 07/08/2001, a deputada Iara Bernardi (PT/SP) apresentou na Câmara um
projeto que “determina sanções às práticas
discriminatórias em razão da orientação sexual[1] das pessoas”. Em
23/11/2006, ele foi aprovado pela Câmara e encaminhado ao Senado. Ao chegar ao
Senado, o projeto recebeu o número PLC 122/2006[2]
e, no dia 07/02/2007, foi
encaminhado ao gabinete da Senadora Fátima Cleide (PT/RO), designada como
relatora na Comissão de Direitos Humanos (CDH). No dia 07/03/2007, a relatora apresentou voto favorável à aprovação do projeto. A proposição já estava
pronta para a pauta quando a relatora, em 15/03/2007,
pediu a sua retirada para “reexame da matéria”. Foi uma retirada estratégica,
pois o Senado estava recebendo várias mensagens de protesto. No entanto, o
projeto pode ser votado — e aprovado —
a qualquer momento. O presidente Lula tem especial interesse em sancioná-lo,
uma vez que, quando candidato, dedicou 14 páginas a um caderno em que se
comprometia promover o homossexualismo, caso fosse reeleito.[3]
O perigo é iminente, mas parecemos estar “deitados eternamente em berço esplêndido”.
O que já está acontecendo
Muito
diferentes dos homossexuais que, angustiados, procuram o sacerdote para obter o
perdão de seus pecados e o auxílio para abandonar seu vício, os homossexuais
militantes orgulham-se de sua prática antinatural e têm sido autores de graves
perseguições religiosas. Em 10 de abril deste ano, a BBC noticiou que o
arcebispo de Gênova (Itália), presidente da CEI (Conferência Episcopal
Italiana) foi colocado sob escolta policial depois de ter recebido ameaças de
morte de ativistas homossexuais.[4]
Na Inglaterra, o bispo anglicano de Hereford, Anthony Priddis, está sendo
processado por ter-se recusado a empregar um homossexual declarado (lá foi
aprovada a “Lei de Orientação Sexual”, semelhante àquela que nosso
presidente pretende sancionar).[5]
Na Suécia, em julho de 2004, o pastor Ake Green foi condenado a um mês de prisão
por ter feito um sermão contra o homossexualismo.[6]
No Brasil, em 2004, o arcebispo emérito do Rio de Janeiro Dom Eugênio Sales
foi ameaçado com uma enxurrada de processos vindos de homossexuais, incomodados
por artigos de jornal que criticavam suas condutas.
Logo
no primeiro dia da visita do Santo Padre ao Brasil (09/05/2007), “cerca de 350
integrantes de movimentos de gays e simpatizantes da Bahia, liderados pelo Grupo
Gay da Bahia (GGB) [...] ocuparam as escadarias da Catedral da Sé, no Centro da
Capital Baiana, e queimaram uma foto ampliada do pontífice. Além disso,
promoveram um apitaço, estendendo faixas com mensagens de protesto contra a
presença do pontífice. Na maior das faixas, lia-se: ‘Papa Bento XVI, chega
de inquisição! O amor não tem sexo!’.”[7]
O
governo Lula tem empregado maciçamente o nosso dinheiro para a promoção do
homossexualismo. A frase a seguir é de um líder homossexual e refere-se ao
montante investido no programa “Brasil sem homofobia”:
“Da proposta inicial do governo de R$ 400 mil, nós conseguimos aumentar
este valor para R$ 8 milhões. Atualmente, esse é o orçamento inteiro do
programa, mas que ainda é insuficiente para atender a demanda que temos no país”.[8]
A
lei que pretende conceder privilégios ao homossexualismo, criando a figura
penal da “homofobia”, está muito longe de ser inofensiva. Já agora os
homossexuais militantes, organizados em associações, com o apoio do governo e
o aplauso dos meios de comunicação social, vêm obtendo, junto ao Judiciário,
indenizações por “danos morais”, pensão alimentícia após a morte do
“companheiro” e inclusive o direito de adotar crianças! Há juízes e
tribunais decidindo contra a lei, à semelhança daqueles que “autorizam” a
prática de um aborto de bebê anencéfalo.
O
PLC 122/2006, se convertido em lei, conforme compromisso do presidente,
acarretará uma perseguição religiosa sem precedentes em nosso país. Vejamos:
O cerne da questão
No
entanto, as conseqüências acima (que já são realidade em países que
aprovaram leis semelhantes) não são
o principal motivo pelo qual o PLC 122/2006 deve ser rejeitado. O cerne da questão
não está nas perseguições que hão de vir caso a proposta seja
convertida em lei.
O
motivo central pelo qual esse projeto deve ser totalmente rejeitado é que ele pretende dar direitos ao vício.
O homossexualismo não acrescenta direitos a ninguém. Se um homossexual
praticante tem algum direito, conserva-o apesar de ser homossexual, e não
por ser homossexual. O mesmo se pode dizer de qualquer outro vício. O bêbado,
o adúltero, a prostituta... só têm direitos como pessoas, mas não por
causa da embriaguez, do adultério ou da prostituição.
O
homossexual, por ter escolhido livremente praticar esse vício, deve arcar com o
ônus de sua opção. Não pode exigir que um seminário o acolha para que ele
se torne sacerdote. Nem pode querer impedir que, em uma homilia, um pregador
reprove sua conduta. Não pode queixar-se de seu empregador querer demiti-lo
temendo a corrupção moral de sua empresa. Não pode exigir que um juiz da infância
lhe dê uma criança para adotar. Não pode obrigar uma mãe de família a
confiar nele para cuidar de seus bebês. Não pode forçar a população a
tolerar seus atos de obscenidade praticados em público.
A
simples promulgação dessa lei (Deus não o permita!), independentemente de
qualquer efeito persecutório, será uma horrenda mudança qualitativa
em nossa legislação. Se aprovada essa lei, por ação ou omissão dos
brasileiros, este país ter-se-á rebelado contra Deus, transformando em direito
aquele pecado “muito grande” (Gn 18,20) que clamava aos Céus por castigo.
É de se temer que nossa pátria tenha um destino semelhante ao que teve a
cidade de Sodoma (Gn 19).
Anápolis, 19 de maio de 2007
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
[1]
Na verdade, a deputada não percebeu que só existe uma “orientação”
sexual: a de um homem por uma mulher. Entre dois homens ou entre duas
mulheres, não há “orientação”, mas desorientação
sexual.
[2]
Ao contrário do que alguns pensam, PLC não significa “projeto de lei
complementar”. Significa projeto de lei (ordinária) de iniciativa da Câmara,
agora em apreciação pelo Senado.
[3]
Trata-se do Programa Setorial Lula presidente: construindo um Brasil sem homofobia: Programa Setorial
Cidadania GLBT 2007 / 2010. Na época eleitoral, estava disponível em
<http://www.lulapresidente.org.br/site/download/militante/cartilha/GLBT_205x265.zip>.
[4].MARK,
Duff. Genoa bishop under police
guard. BBC
News, London, 10 Apr. 2007. Disponível
em: <http://news.bbc.co.uk/2/hi/europe/6543263.stm>
[5]
WHITE, Hillary.
[6]
SWEDISH Pastor
sentenced to month in prison for preaching against homosexuality. LifeSiteNews.com.
Pittsburgh, PA, USA, 5 Jul. 2004.
Disponível em: <http://www.lifesite.net/ldn/2004/jul/04070505.html>
[7]
EUZÉBIO, Gilson. Gays protestam contra visita do Papa. Brasília, Correio
Braziliense, 10 maio 2007, p. 12.
[8]
MELO, Cecília. Governo prevê cerca
de R$ 8 milhões para combater preconceito contra homossexuais. Contas
abertas, Brasília, DF, 30 abr.
2007. Disponível em: <http://contasabertas.uol.com.br/noticias/detalhes_noticias.asp?auto=1703>.
Acesso em: 18 maio 2007.