Gênero: que é isso?
(por trás dessa palavra esconde-se toda
uma ideologia...)
Hoje
em dia, muitas vezes a palavra “gênero” aparece em contextos onde esperávamos
encontrar a palavra “sexo”. Em vez de se falar de diferença entre os sexos,
fala-se de diferença entre os gêneros. Em vez de discriminação por causa de
sexo, fala-se em discriminação por causa de gênero. As pessoas desavisadas
podem achar que o termo “gênero” é inofensivo. Seria apenas um sinônimo
de sexo. No entanto tal palavra esconde toda uma ideologia: a “ideologia de gênero”.
Sobre este assunto, a Conferência Episcopal Peruana elaborou um documento “La
ideología de género: sus peligros y sus alcances”[1],
publicado em abril de 1998, cujo conteúdo pretendo resumir aqui. A chamada
“perspectiva de gênero” resume-se nos seguintes princípios:
1. Não existe um homem natural nem uma mulher natural. O ente humano
nasce sexualmente neutro. A sociedade é que constrói os papéis masculinos ou
femininos. “Gêneros” são papéis
socialmente construídos.
2. Não é a natureza, mas a sociedade que impõe à mulher e ao homem
certos comportamentos e certas normas diferentes. Assim, se desde pequena a
mulher brinca de boneca e casinha, isso não se deve a um instinto materno (que
para as feministas de gênero não existe), mas simplesmente a uma convenção
social. Se as mulheres casam-se com homens, e não com outras mulheres, isso não
se deve a uma lei da natureza, mas uma construção da sociedade. Se os homens
sentem-se na obrigação de trabalhar fora de casa para sustentar a família,
enquanto as mulheres sentem necessidade de ficar junto aos filhos, nada disso é
natural. São meros papéis, desempenhados por tradição, mas que poderiam
perfeitamente ser trocados.
3.
Tais idéias, que são meras construções sociais, servem para justificar o domínio
da mulher pelo homem. Assim, a mulher, ingenuamente, “acredita” que seu
lugar mais importante é o lar, que nasceu para se mãe, que deve sacrificar-se
pelos filhos, que deve ser fiel ao marido... Tais “construções sociais” não
têm fundamento, dizem as feministas. Assim, é preciso “desconstruir”
tais idéias, conscientizando a mulher de que ela está sendo enganada e
explorada.
4.
Uma vez liberta de tais “construções sociais”, a mulher vê-se livre para
construir a si mesma: pode livremente optar por ser lésbica, por não ser mãe
ou por matar o filho concebido (ou, como se diz, “interromper a gravidez”).
Tudo passa a ser permitido.
O
marxismo: origem da ideologia de gênero
A
ideologia de gênero, que causou enorme discussão na IV Conferência Mundial
das Nações Unidas sobre a Mulher (Pequim, 1995), tem sua origem
“O
primeiro antagonismo de classes da história coincide com o desenvolvimento do
antagonismo entre o homem e a mulher, unidos em matrimônio monógamo, e a
primeira opressão de uma classe por outra, com a do sexo feminino pelo
masculino”[2].
Segundo
a doutrina marxista, não há conciliação possível entre as classes. Operários
e patrões são necessariamente inimigos. Os operários não devem buscar
melhorias para sua classe. Devem fazer uma revolução,
que terá por fim acabar com as classes. Marx pregava uma tomada do poder pelo
proletariado. Depois de algum tempo, o Estado iria desaparecer, não haveria
mais classes sociais e tudo seria comum. Seria instaurado o comunismo.
Seguindo
a mesma linha, o feminismo atual, com bases no marxismo, não deseja
simplesmente melhorias para as mulheres. Deseja eliminar as “classes
sexuais”. Diz a feminista radical Shulamith Firestone, em seu livro “The
Dialectic of Sex” (A dialética
do sexo):
“... assegurar a eliminação
das classes sexuais requer que a classe subjugada (as mulheres) faça uma revolução
e se apodere do controle da reprodução, que se restaure à mulher a
propriedade sobre seus próprios corpos, como também o controle feminino da
fertilidade humana, incluindo tanto as novas tecnologias como todas as instituições
sociais de nascimento e cuidado de crianças. E assim como a meta final da
revolução socialista era não só acabar com o privilégio da classe econômica,
mas com a própria distinção entre classes econômicas, a meta definitiva da
revolução feminista deve ser igualmente — à diferença do primeiro
movimento feminista — não simplesmente acabar com o privilégio masculino,
mas com a própria distinção de sexos: as diferenças genitais entre os seres
humanos já não importariam culturalmente”.
As
feministas de gênero, fiéis à visão marxista, dizem que toda desigualdade é
injusta. Que o trabalho exercido pelo homem seja diferente do exercido pela
mulher é simplesmente uma injustiça institucionalizada. É preciso acabar com
ela. A respeito da mulher que opta por ficar em seu lar cuidando dos filhos, diz
a feminista Christina Hoff Sommers:
“Pensamos
que nenhuma mulher deveria ter esta opção. Não se deveria autorizar a nenhuma
mulher ficar em casa para cuidar de seus filhos. A sociedade deve ser totalmente
diferente. As mulheres não devem ter essa opção, porque se essa opção
existe, demasiadas mulheres decidirão por ela”[3].
(Até
aqui o resumo do documento da Conferência Episcopal Peruana)
Redefinição
de família
O
feminismo de gênero é inimigo frontal da família, lugar em que os papéis de
cada sexo são “socialmente construídos”. Para abolir a família, é mais
eficiente conservar seu nome e mudar o seu sentido. Família poderia significar
não apenas a união perpétua entre um homem e uma mulher com seus filhos (como
nós a conhecemos), mas também, por exemplo, a união de duas lésbicas e mais
uma criança gerada por inseminação artificial; ou então dois homossexuais e
um filho “adotivo”.
A
recém-aprovada Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006, conhecida como “Lei Maria
da Penha”, redefine família como “a
comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos
por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa” (art. 5°,
II). E acrescenta: “As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação
sexual” (art. 5°, parágrafo único). Essa lei, sancionada com o objetivo
de coibir a violência contra a mulher, pretende ser o cumprimento da Convenção
sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres
(CEDAW), que o Brasil assinou em 1981 e ratificou em 1984. O texto da Convenção
nada fala em favor do aborto ou do homossexualismo. Mas o Comitê internacional
estabelecido para acompanhar o cumprimento da Convenção tem defendido
abertamente tais idéias. Curioso é o texto em que o Comitê critica a Bielo-Rússia
(também chamada Belarus) pela reintrodução do “Dia das Mães” e do “Prêmio
das Mães”:
“Preocupa
o Comitê a contínua prevalência dos estereótipos do papel de cada sexo e a
reintrodução de símbolos como o ‘Dia das Mães’ e o ‘Prêmio das Mães’,
que é visto como um encorajamento aos papéis tradicionais das mulheres.
Preocupa também se a introdução da educação dos direitos humanos e de gênero,
em oposição a tal estereotipação, está sendo efetivamente implementada.”[4]
Como
se vê, a educação sob perspectiva de gênero é indicada pelo Comitê como
remédio para a falta cometida pela Bielo-Rússia, de instituir um dia para
valorizar a maternidade da mulher, que é apenas um “papel tradicional” a
ser eliminado.
Homofobia
Se
nada há de natural na complementação homem-mulher, os que criticam o
homossexualismo devem ser punidos como “homofóbicos”. Pelo Projeto de Lei 5003-B, de 2001, aprovado pela
Câmara em 23/11/2006, a prática de atos de homossexualidade deixa de ser vício
e passa a ser direito humano. Essa proposição, que vai agora à apreciação
pelo Senado, cria várias condutas consideradas crimes de “homofobia”. A punição para o reitor de um seminário que não
admitir o ingresso de um aluno homossexual está prevista para
É
preocupante que a “perspectiva de gênero” esteja presente entre os propósitos
do segundo governo Lula. À promoção do homossexualismo é dedicado um caderno
de 14 páginas: “Lula presidente: construindo um Brasil sem homofobia: Programa
Setorial Cidadania GLBT 2007 /
A
doutrina cristã sobre a sexualidade
Homens
e mulheres são diferentes, mas não são inimigos natos. Ao contrário, são
mutuamente complementares. Um precisa do outro e completa-se no outro.[7]
Porém, pela ideologia de gênero, esta visão cristã que vê em cada sexo uma
vocação e missão específica é taxada de visão “sexista”. O “sexismo”
e a “homofobia” são dois inimigos
a serem combatidos por essa ideologia. Como se percebe, quem tem coragem para
defender a doutrina cristã deve estar pronto para ser perseguido.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis