Época de perseguição
Em 15 de março de 2004, a revista Época publicou na edição n.º 304, nas páginas 68 a 72, o artigo "A guerra dos embriões", com o subtítulo "Mulheres pobres são impedidas de interromper gestações inviáveis por cruzada religiosa". Na página 7 da mesma edição foi publicado no Índice a seguinte referência à matéria: "Parto de luto — mulheres pobres são impedidas de interromper gestação de risco". A matéria continha cinco páginas de apologia do aborto eugênico e de acusações contra a Igreja Católica. O estopim foi a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, que, pela primeira vez na história, deferiu um Habeas Corpus em favor de uma criança deficiente no útero materno, criando assim jurisprudência contra o aborto eugênico:
HABEAS CORPUS N.º 32.159 - RJ (2003/0219840-5)
Data do julgamento: 17/02/2004. Publicado no Diário de Justiça em 22/03/2004.
EMENTA:
HABEAS CORPUS. PENAL. PEDIDO DE AUTORIZAÇÃO PARA A PRÁTICA DE ABORTO. NASCITURO ACOMETIDO DE ANENCEFALIA. INDEFERIMENTO. APELAÇÃO. DECISÃO LIMINAR DA RELATORA RATIFICADA PELO COLEGIADO DEFERINDO O PEDIDO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IDONEIDADE DO WRIT PARA A DEFESA DO NASCITURO.
A revista apresentou o aborto por má formação fetal como sendo um aborto "necessário" para evitar "risco de vida" para a gestante. Apresentou o casal Gabriela de Oliveira Cordeiro e Petrônio Oliveira Júnior como se tivessem sofrido horrivelmente com a decisão judicial que proibiu o abortamento de sua filha Maria Vida. Apresentou a Igreja Católica como impregnada de um "dogmatismo religioso" que ousa interferir na liberdade da mãe de decidir abortar ou não a criança. Apresentou as feministas como heroínas que tentaram em vão defender o interesse de Gabriela de abortar. Apresentou a mim, Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, como alguém que arremessa fetos de borracha contra os que defendem o aborto (!). E apresentou o caso da jovem Deuseli Vanines, assistida pelo Pró-Vida de Anápolis, como o de alguém que matou a própria filha de onze meses por alimentar um ódio contra ela, que fora concebida em um estupro.
A difamação causada pela revista surtiu efeito imediato. Logo recebi mensagens eletrônicas (e-mails) de várias pessoas indignadas comigo.
No dia 16 de março de 2004, enviei por fax à Redação da Revista Época uma carta solicitando o exercício do direito de resposta. Na edição seguinte (n.º 305), de 22 de março de 2004, a revista publicou a carta (p.23), mas cortando várias passagens, inclusive frases inteiras que seriam importantes para o esclarecimento da verdade dos fatos. Como se não bastasse isso, logo abaixo da publicação mutilada da carta, a revista reiterou as ofensas (p. 23):
N. da R.: O padre preside um grupo católico denominado Pró-Vida de Anápolis, que funciona no interior do pátio da catedral Bom Jesus, em Anápolis, Goiás. Em seu depoimento gravado para ÉPOCA, Gabriela de Oliveira Cordeiro disse que só mudou de idéia sobre interromper a gestação depois de ter sido pressionada [sic] por casais católicos, que lhe fizeram acreditar [sic] que seu corpo era a CTI do bebê, e se sentir abandonada pela Justiça [sic]. Mesmo assim, ela continua convicta de que as mulheres devem ter direito de escolha sobre antecipar ou não o parto de um feto inviável [sic]. O costume do dito sacerdote de jogar fetos sintéticos sobre supostos adversários é comprovado por testemunhas [SIC!]. A malformação fetal incompatível com a vida representa risco para a mãe, conforme atesta a Medicina [sic]. Em seu depoimento à Justiça, por ocasião da morte da filha, a própria Deuseli diz que, em algumas ocasiões, sentia ódio da filha porque lhe lembrava o estupro [sic]. A Justiça interpretou que o assassinato da menina pela mãe havia sido um "abortamento cruel e tardio".
Fotógrafa: Mirian Fichtner/ÉPOCA
Na citação acima, os grifos são nossos. Note-se a leviandade de afirmar pela segunda vez, entre outras inverdades, que eu tenho o "costume" de atirar fetos sintéticos sobre meus adversários, e que tal "costume" teria sido comprovado por testemunhas, cujos nomes não foram mencionados pela Redação.
Eis a verdade:
1.
Sobre os bebês de borrachaAo que parece, a revista Época prepara uma nova ofensiva contra a Igreja Católica. São palavras do diretor de redação Aluizio Falcão Filho, escrita no artigo "A segunda guerra dos embriões", p. 18, de 22/03/2004:
"Nos próximos dias, na Itália, uma nova faísca promete reacender a polêmica. O Vaticano deverá canonizar Gianna Beretta Molla, morta em 28 de abril de 1962".
A canonização da médica italiana que heroicamente deu a vida pela filha parece que servirá de ocasião para novos ataques à Igreja. Preparemo-nos para sofrer novas injúrias pelo nome de Jesus...
Anápolis, 01 de maio de 2004
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
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