“De volta ao lar”
O título acima se refere a um excelente livro, escrito pela ex-feminista Mary Pride, publicado nos Estados Unidos em 1985,[1] e agora traduzido por meu amigo Júlio Severo para o português.[2]
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É
maravilhoso ver como a autora descobriu o verdadeiro e insubstituível papel da
esposa e mãe como "trabalhadora do lar".
Lindo o amor que ela tem aos filhos, como uma bênção absoluta de Deus, cujo número não pode ser limitado pelo capricho humano. Impressionante a condenação não apenas do aborto, mas também da anticoncepção, como pecado contra a natureza. Seu amor à família numerosa, a descoberta de que a mulher não foi feita para "competir" com o homem, mas para cooperar com ele, sua desilusão com o feminismo, tudo isso torna essa obra algo de precioso para as esposas cristãs. |
Mary Pride é presbiteriana. Mãe de nove filhos, todos eles educados em casa (sem freqüentar as escolas), vive atualmente com seu marido na cidade de Fenton. O casal dirige uma importante organização de escola em casa (homescholling)[3], prática esta muito difundida nos Estados Unidos, e com ótimos resultados pedagógicos.
Mesmo sem ser católica, é impressionante a coincidência entre as conclusões a que autora chega e o que diz o Magistério da Igreja. Recentemente a Igreja Católica tem insistido sobre a importância do papel da mulher no lar. Cite-se o discurso do Papa Bento XVI em sua viagem ao Brasil:
As
mães que desejam dedicar-se plenamente à educação dos seus filhos e ao serviço
da família devem gozar das condições necessárias para o poder fazer, e por
isso têm direito de contar com o apoio do Estado. De fato, o papel da mãe é
fundamental para o futuro da sociedade.[4]
A
verdadeira liberdade
Mary Pride adverte que os atuais movimentos de libertação da mulher criaram uma nova forma de escravidão: a da esposa reprimida.
Com
tudo o que andam falando sobre liberação hoje em dia, as mulheres não estão
conseguindo perceber que a esposa que trabalha no lar é
a única mulher que realmente tem liberdade! Ela é sua própria
chefe durante as mesmas nove ou dez horas do dia em que outras mulheres estão
fazendo o que seus superiores ordenam. Ela pode organizar seus próprios horários,
tomar conta de seu próprio orçamento e se vestir como quer, sem ter de cumprir
normas de empresas. A esposa que trabalha no lar tem, até certo ponto,
liberdade para fazer o que deseja, ao passo que a esposa que trabalha fora mal
consegue ler um livro durante as horas de trabalho. Em vez do ambiente frio e
formal do escritório, a trabalhadora do lar serve seus ‘clientes’
diretamente, e diariamente ela recebe tangíveis recompensas por seu trabalho
(‘Humm! Este bolo está delicioso, mamãe!’).
Todos
os esforços para promover a liberação da mulher estão estabelecendo uma nova
forma de escravidão — a esposa reprimida.
(p. 236)
O
trabalho no lar
Mary Pride não fala simplesmente de ficar em casa, mas de trabalhar em casa:
O trabalho do lar significa trabalhar
no lar. A nossa obrigação não é prover o sustento da família – essa
tarefa é do homem. O nosso dever é
fazer uma contribuição econômica. Provavelmente você já
está fazendo mais dinheiro para sua família do que percebe. Você costura?
Aqueles 15 dólares em tecidos que você transformou numa surpreendente roupa de
100 dólares economizaram muito mais do que a diferença de 85 dólares. (p. 245)
O trabalho doméstico, que tem uma importância econômica inestimável, é visto pela autora como uma arte:
As
feministas acham que o trabalho doméstico, simbolizado pelo trabalho de lavar
pratos, é degradante para a mulher talentosa. Prefiro pensar nisso como arte. Não
é bonito ver os pratos completamente limpos e guardados? (p. 253-254)
A arte no lar, porém, vai muito além de lavar pratos:
As
esposas que trabalham no lar tocam instrumentos musicais, praticam muitos tipos
diferentes de arte, criam novos “designs” de roupas e receitas de comida,
decoram a casa, cuidam do jardim e ensinam seus filhos. Se quiser ver uma
artista no local de trabalho, pense na esposa do passado, que vivia na fazenda,
com seu trabalho de fazer colchas e preparar conservas, com suas roupas e
tapetes feitos a mão.
[...]
Devo
dizer pessoalmente que meus interesses e talentos aumentaram dez vezes mais
desde que deixei meu emprego de engenheira e comecei a trabalhar no lar, e
parece que vão continuar a se expandir no futuro. Na força de trabalho lá
fora, eu nunca teria oportunidades de adotar interesses tão diferentes como
educação, arquitetura, economia, caligrafia, poesia, composição literária,
‘design’ de roupas, teoria e prática de horticultura, ensino de piano, etc.
tudo ao mesmo tempo.
Mas
no lar estou me ampliando quase sem limite. Cada novo interesse leva a outro, e
pela primeira vez em minha vida tenho mais projetos interessantes e úteis do
que posso fazer. (p. 255-256)
Os filhos: uma bênção
de Deus
É impressionante como Mary Pride, ao analisar e comentar a Bíblia, chega
à mesma doutrina católica de que todo ato sexual deve estar aberto à procriação.
Ao interpretar Rm 1,26,
Se
os filhos são uma bênção, então por que não queremos todos os que Deus
quer nos dar? Será que você consegue
pensar em qualquer outra bênção que faz os cristãos lamentarem, se queixarem
e fazerem o possível para não aceitar? Não pareceria ridículo ouvir cristãos
dizendo: ‘Estou farto de todo este dinheiro que Tu me deste, Senhor. Por
favor, não me dês mais nada!’ ou ‘Já tenho suficientes unções do poder
do Espírito Santo sobre mim para durar pelo resto da vida. Para mim, chega,
obrigado!’ (p. 70).
Mais adiante, ela interroga:
... Será
que alguém poderia encontrar um só versículo da Bíblia que declare que os
cristãos devem recusar as bênçãos de Deus? Filhos são uma bênção absoluta,
de acordo com a Bíblia. Mas o único modo de o mundo algum dia chegar a saber
disso é vendo os casais cristãos dispostos a ter e gozar famílias grandes.
(p. 116)
Tão grande é o amor da autora pelos filhos que ela condena, sem ressalvas, o espaçamento e a limitação dos filhos, dizendo que eles têm uma coisa em comum: “põem um limite na quantidade de bênçãos que o casal está disposto a aceitar” (p. 116). Nem sequer ela faz menção a situações excepcionais (“por motivos graves e com respeito à lei moral”[6]) em que a Igreja admite fazer uso da continência periódica (conhecida como “método natural”) para evitar uma nova gravidez.
A autora tem razão ao dizer que, fora daqueles casos de exceção, “o espaçamento é uma tentativa de usurpar a soberania de Deus formando a família com as próprias mãos” (. p. 116). E quanto à limitação, ela
... cria
nas esposas mais jovens atitudes contra uma vida dedicada ao papel de mãe, pois
a mulher que já teve um ou dois filhos e não quer mais passa a ser vista como
entendida pelas jovens que ainda não têm filhos. Elas acham que ela tem muita
experiência, e elas próprias começam a ter receio de ser mãe de vários
filhos. Elas dizem: ‘isso é tudo o que queremos — só dois (ou quatro, ou
um)’.(p. 116)
O
filho a ser pedido com oração
A autora narra sua própria experiência:
Naturalmente,
os casais ficam imaginando o que acontecerá se eles lançarem suas pílulas
anticoncepcionais descarga abaixo no vaso sanitário. Vamos, por trás dos
bastidores, ver um casal que fez isso: Bill e eu.
Quando
descobri que a Bíblia ensina que ter vários filhos é uma bênção, não
maldição, eu tinha uma excelente carreira profissional e algumas noções
vagas sobre fertilidade. Estava certa de que, se parasse de usar a pílula, eu
ficaria grávida imediatamente.
Eu
estava errada.
Por
três longos anos absolutamente nada aconteceu. Nada!
Isso não é raro. [...] Finalmente cogitamos de realmente reconhecer que Deus
estava no controle da situação e começamos a orar
pedindo um bebê.[...] Seis semanas depois descobri que estava grávida.
[...]
Desde
então, Deus em Sua bondade, nos deu mais filhos. Todas as gravidezes que tive
foram graças à oração. Mas nossos filhos nasceram
[...]
Se você
permitir que Deus planeje a sua família, ninguém poderá dizer exatamente qual
será o plano d’Ele — exceto que a bênção de uma família extremamente
grande é rara, como raras são todas as bênçãos especiais. (p. 118-120)
Às
leitoras católicas
O excelente livro de Mary Pride pode suscitar alguma estranheza nas mulheres católicas. Isso porque a autora admite a Sagrada Escritura como única fonte de Revelação, excluindo a Sagrada Tradição. Exclui também o Magistério da Igreja, que “não está acima da Palavra de Deus, mas a seu serviço”,[7] e tem o ofício de interpretá-la autenticamente. Diz a autora que devemos “usar a Bíblia para interpretar a Bíblia” (p. 213), o que é correto. Mas como a interpretação tem sempre algo de subjetivo, é necessária a autoridade da Igreja para confirmá-la. Assim, a autora, baseada em Ml 2,16, afirma corretamente que Deus odeia o divórcio. Mas admite o divórcio em caso de adultério (p. 44-45), o que não é aceito pela Doutrina Católica. Nada disso, porém, deve impedir que as católicas tirem um ótimo proveito da leitura.
Uma lacuna
facilmente perceptível na obra é a falta quase completa de referências a
Nossa Senhora, como modelo de esposa cristã. Em uma única página, Maria e
Sara (esposa de Abraão) são apresentadas como “excelentes exemplos” de
esposas na Bíblia. Mas se acrescenta: “com exceção de alguns fatos específicos
Como adquirir o livro “De volta ao lar”, de Mary Pride?
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Leia e divulgue.
Anápolis, 19 de julho de 2007.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz.
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
[1]
PRIDE, Mary. The way home: beyond
feminism back to reality,
[2]
PRIDE, Mary. De volta ao lar: do
feminismo à realidade. Ourinhos: Edições Cristãs, 2006.
[3]
Cf. <http://www.home-school.com>
[4]
BENTO XVI, Discurso da Sessão Inaugural dos Trabalhos da V Conferência Geral do Episcopado da
América Latina e do Caribe. Aparecida, SP, domingo, 13 maio 2007.
[5]
Usamos aqui a numeração grega. A autora usa a numeração hebraica: salmos
127 e 128.
[6]
PAULO VI, Encíclica Humanae Vitae, n. 10.
[7]
Constituição Dogmática Dei Verbum, n. 176.