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Depois do aborto...
(alguém que fala por experiência própria)

Entre os participantes da enquete "José Serra Presidente", uma eleitora deixou-me impressionado. Pedi-lhe permissão para publicar o comentário que ela anexou ao seu voto dirigido ao Ministro, ainda que ocultando seu nome com as iniciais. Ela, porém, respondeu: "O meu nome pode ser publicado por completo; esconder de quem se Deus sabe tudo?". Maria Carolina Paraventi (este é o seu nome) nasceu em Campinas (SP), mudou-se aos sete anos para a capital paulista, e aos onze anos emigrou com sua mãe para os Estados Unidos. Atualmente vive na Flórida. Seu título eleitoral é do Estado do Rio de Janeiro. Eis suas palavras:

O direito da mulher de escolher se deseja ou não ser mãe deve ser sempre respeitado, contanto que a sua decisão seja de forma responsável.

A mulher atual pode recorrer a vários métodos saudáveis para não se engravidar, e o aborto sem sombra de dúvida, além de não ser um método anticoncepcional causa danos permanentes, sejam eles, emocionais, físicos, espirituais ou psicológicos.

Falo por experiência própria e jamais me arrependo dos meus atos, com exceção de ter permitido um crime tão horrendo na minha vida, mesmo que tenha sido por ignorância na época, com o apoio da minha mãe e do meu então marido. E infelizmente, depois de divorciada voltei a cometer a mesma atrocidade ainda em ignorância. Anos depois quando me conscientizei do que havia permitido, foi um impacto tão doloroso que até hoje é a única lembrança que machuca todo o meu ser. Isso é algo que não se apaga, não se esquece, não se cura. A marca fica para sempre, só resta a misericórdia Divina para nos confortar.

Lembro-me perfeita e nitidamente bem, que ao encontrar-me na sala de recuperação do hospital, e à medida em que o efeito da anestesia passava, eu chorava incontrolavelmente e pedia perdão, que por favor me perdoasse. A enfermeira estava tentando me tranqüilizar e perguntava com quem falava, e eu não tinha a menor idéia. Hoje sei que estava pedindo perdão a Deus e àquela alma cuja vida impedi de vir ao mundo. Peço perdão e oro diariamente por esta alma, para eu alcançar o perdão e para que os políticos e profissionais da área da saúde se conscientizem, sejam despertados, que os seus corações sejam tocados e sensibilizados devido o mal e o desequilíbrio que este ato causa no mundo cada vez que uma alma é impedida de vir cumprir o seu plano divino.

Sou brasileira, tenho dupla residência, EUA/Brazil e sempre faço questão de votar principalmente quando se trata das eleições presidenciais. Por mais que o Ministro José Serra possa ser uma excelente opção para presidente, jamais votaria à favor do aborto e portanto ele não teria o meu voto. Muito grata.

Maria Carolina Paraventi

22 de outubro de 2001