“Católicas
pelo Direito de Decidir”
(quem são elas, o que fazem e onde estão)
Como
a Igreja Católica se opusesse à lei abortista de Nova Iorque, três membros do
grupo pró-aborto NOW (“National Organization for Women” – Organização
Nacional para as Mulheres) fundaram em 1970 a organização CFFC (“Catholics
For a Free Choice” - Católicas pelo Direito de Decidir). Seu primeiro ato público
foi o de ridicularizar a Igreja Católica, coroando uma feminista, na escadaria
da Catedral de São Patrício
Embora
CFFC seja uma organização anticatólica, o nome “católica” é estratégico
para confundir o público. O objetivo é infiltrar-se nas paróquias, nas
dioceses, nas universidades católicas, nos meios de comunicação, nas casas
legislativas a fim de dar a entender que é possível, ao mesmo tempo, ser católico
e defender o direito ao aborto. Além do aborto, tais “católicas” defendem
o uso de anticoncepcionais, o divórcio, as relações sexuais pré-matrimoniais,
os atos homossexuais, o matrimônio de pessoas do mesmo sexo e todas as formas
de reprodução artificial.
Quanto
à liturgia, as CFFC assumem uma série de rituais e práticas da Nova Era: são
devotas do ídolo feminista Sofia (a deusa Sabedoria) e compõem poesias em
honra de Lúcifer. O aborto é tratado como um ato sagrado. São recitadas orações
a “Deus Pai e Mãe” enquanto a mulher que está abortando é abençoada,
abraçada e encorajada a salpicar pétalas de rosas. A ex-freira Diann Neu
elaborou uma cerimônia pós-aborto, em que a mulher abre uma cova no jardim e
deposita os restos mortais de seu bebê, dizendo: “Mãe Terra, em teu seio
depositamos esse espírito”.
O
maior obstáculo que os promotores do aborto têm encontrado no seio das Nações
Unidas é a presença da Santa Sé, que é reconhecida como Observador
Permanente. Em 1999, CFFC lançou a campanha See
change (“mudança de sé”). O objetivo, até agora não atingido, é
pressionar a ONU a fim de rebaixar o status
da Santa Sé ao de simples organização não-governamental (ONG), como é a própria
CFFC.
Por
que atacar justamente a Igreja Católica?
Francis
Kissling, que foi presidente da CFFC durante anos desde 1982, explica, em uma
entrevista de setembro de 2002, porque a Igreja Católica é o alvo chave: “A
perspectiva católica é um bom lugar para começar, tanto em termos filosóficos,
sociológicos como teológicos, porque a posição católica é a mais
desenvolvida. Assim, se você puder refutar a posição católica, você refutou
todas as demais. OK. Nenhum dos outros grupos religiosos realmente tem declarações
tão bem definidas sobre a personalidade, quando começa a vida, fetos etc.
Assim, se você derrubar a posição católica, você ganha”.[2]
Financiamento
CFFC
recebe vultosas doações de fundações de controle demográfico, entre elas:
Fundação Ford, Fundação Sunnen, Fundação Mc Arthur e Fundação Playboy.
Hoje a maior parte dos investimentos é destinada à promoção dos “direitos
reprodutivos” na América Latina, ou seja, do direito ao aborto, à
esterilização e à anticoncepção.
Em
1987, CFFC criou uma filial latino-americana em Montevidéu, Uruguai, com o nome
de “Católicas pelo Derecho a Decidir”. Em língua espanhola foi
publicado um livro sarcástico intitulado “Y
Maria fue consultada para ser madre di Dios”, que apresenta Nossa Senhora
como símbolo do “direito de decidir” sobre a prática do aborto. Em 1993
foi criada
Onde
elas estão?
Recentemente,
as Católicas pelo Direito de Decidir (CDD) transferiram-se para a Rua Sebastião
Soares de Faria, n.º 56, 6º andar, São Paulo, isto é no mesmo prédio da
sede do Regional Sul 1 da CNBB, que ocupa o 5º andar. O fato tem gerado
perplexidade, uma vez que, além de usarem o nome de “católicas”, elas
agora compartilham o mesmo edifício usado pelos Bispos. Na verdade, o prédio não
pertence à CNBB, mas à Ordem Carmelita (Província de Santo Elias). Mas a
perplexidade permanece: como uma Ordem de frades católicos pode alugar um imóvel
para uma organização abortista?
As
CDD e a Campanha da Fraternidade 2008
Na
segunda quinzena de dezembro de 2007, as livrarias católicas puseram à venda
um DVD produzido pela Verbo Filmes, trazendo na capa o cartaz da Campanha da
Fraternidade 2008, com o lema “Escolhe,
pois, a vida”, o tema “Fraternidade
e defesa da vida” e o logotipo da CNBB. O que deixou os militantes pró-vida
estupefatos foi a participação da Sra. Dulce Xavier, membro das CDD, no bloco
IV do vídeo (“Em defesa da vida: pontos de vista”), com uma fala de cinco
minutos, criticando a Igreja Católica por não aceitar a anticoncepção, e
defendendo a realização do aborto pela rede hospitalar pública para preservar
“a vida das mulheres”. A inserção das “católicas” no vídeo tinha
sido feita sem a autorização da CNBB, que, quando soube da notícia, exigiu o
recolhimento dos DVDs. A Verbo Filmes fez então uma outra edição, desta vez
sem a fala das CDD. No entanto, até a data da edição deste jornal, podia-se
encontrar no sítio da Verbo Filmes (www.verbofilmes.org.br) a descrição do
conteúdo do DVD, ainda com a participação das Católicas pelo Direito de
Decidir.
É
mais do que urgente que a CNBB emita uma nota oficial sobre as CDD, à semelhança
do que fez a Conferência Episcopal dos Estados Unidos, conforme transcrevemos a
seguir.
DECLARAÇÃO
DA CONFERÊNCIA NACIONAL
DOS BISPOS CATÓLICOS DOS ESTADOS UNIDOS (NCCB), de 10/05/2000
Por
muitos anos, um grupo autodenominado “Católicas pelo Direito de Decidir” (Catholics
for a Free Choice — CFFC), tem publicamente defendido o aborto ao mesmo tempo
em que diz estar falando como uma autêntica voz católica. Esta declaração é
falsa. De fato, a atividade do grupo é direcionada para rejeitar e distorcer o
ensinamento católico sobre o respeito e a proteção devida à defesa da vida
humana do nascituro indefeso.
Em
algumas ocasiões a Conferência Nacional dos Bispos Católicos (NCCB) declarou
publicamente que
a
CFFC não é uma organização
católica,
não fala pela Igreja Católica,
e de fato promove posições contrárias ao magistério da Igreja conforme
pronunciado pela Santa Sé e pela NCCB.
CFFC
é, praticamente falando, um braço do “lobby” do aborto nos Estados Unidos
e através do mundo. É um grupo de pressão dedicado a apoiar o aborto. É
financiado por algumas poderosas e ricas fundações privadas, principalmente
americanas, para promover o aborto como um método de controle de população.
Esta posição é contrária à política existente nas Nações Unidas e às
leis e políticas da maioria das nações do mundo.
Em
sua última campanha, CFFC assumiu um esforço concentrado de opinião pública
para acabar com a presença oficial e silenciar a voz moral da Santa Sé nas Nações
Unidas como um Observador Permanente. A campanha de opinião pública tem
ridicularizado a Santa Sé com uma linguagem que lembra outros episódios de
fanatismo anticatólico que a Igreja Católica sofreu no passado.
Como
os Bispos Católicos dos Estados Unidos têm afirmado por muitos anos, o uso do
nome “Católica” como uma plataforma de apoio à supressão da vida humana
inocente e de ridicularização da Igreja é ofensivo não somente aos católicos,
mas a todos que esperam honestidade e franqueza em um discurso público.
Declaramos outra vez com a mais forte veemência: “Por causa de sua oposição
aos direitos humanos de alguns dos mais indefesos membros da raça humana, e
porque seus propósitos e atividades contradizem os ensinamentos essenciais da fé
católica,... Católicas pelo Direito de Decidir não merece o reconhecimento
nem o apoio como uma organização católica” (Comitê Administrativo, Conferência
Nacional dos Bispos, 1993).[3]
Bibliografia
consultada:
CLOWES,
Brian. Mulheres católicas pelo direito de decidir. In: PONTIFÍCIO CONSELHO PARA
A FAMÍLIA. Lexicon: termos ambíguos
e discutidos sobre família, vida e questões éticas. São Paulo: Escolas
Profissionais Salesianas, 2007. p. 659-668.
HUMAN
LIFE INTERNATIONAL. “Católicas pelo
direito de decidir” sem máscaras: idéias sórdidas, dinheiro sujo. Tradução
de Teresa Maria Freixinho. Brasília: Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família,
2000.
SCALA,
Jorge. IPPF: a multinacional da morte. Anápolis: Múltipla Gráfica, 2004.
p. 227-228
Roma, 4 de janeiro de 2008.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
[1]
IPPF - International Planned Pareenthood Federation (Federação
Internacional de Planejamento Familiar), conhecida como “a multinacional
da morte”, com sede em Londres e filiais em 180 países.
[2]
[3]
Disponível em <http://www.providaanapolis.org.br/deccdc.htm>.
Original inglês disponível em <http://www.providaanapolis.org.br /deccffc.htm>.